Em coletiva, Mandetta nega saída de ministério e diz que quarentena foi precipitada

Em coletiva realizada na tarde desta quarta-feira, 26, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a quarentena instalada por autoridades estaduais aconteceu de forma precipitada. A declaração é semelhante as ideias do presidente Jair Bolsonaro, que foi alvo de críticas após minimizar os efeitos do novo coronavírus, na última terça-feira, 24. Mandetta também descartou uma saída do Ministério da Saúde, afirmando que só sairia se o presidente pedisse ou se ele ficasse doente.

“A gente tem que melhorar esse negócio de quarentena. Foi precipitado, foi cedo”, declarou, acrescentando que o isolamento sem prazo para terminar se torna “uma parede na vida das pessoas”.

O ministro também disse que antes do chamado fecha-tudo, existe uma série de medidas que podem ser adotadas e chegou a defender a preocupação de Bolsonaro com a economia. Segundo o ministro, o isolamento social poderia ser decretado em um cenário mais drástico, porém, de maneira calibrada entre os governos. Uma conversa para discutir a continuidade da medida está prevista para ocorrer na sexta-feira, 26.

“Nós vamos atravessar [a crise do coronavírus] com ciência em uma mão, informação sobre a epidemia e capacidade de fazer operações logísticas em outra. Vamos atravessar isso sim, todos juntos”, reforçou Mandetta.

Sobre o isolamento vertical, medida proposta por Bolsonaro de manter em quarentena somente os grupos com maior risco de letalidade e os doentes, o Ministério da Saúde, por meio do secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo Reis, disse, sem mais detalhes que a pasta “irá continuar avaliando essa possibilidade. Ela vai ser implementada se o nosso corpo técnico achar que é melhor”, pontuou.

O ministro lembrou que na sexta-feira, 26, completa 30 dias do primeiro caso no Brasil, registrado no dia 26 de fevereiro em São Paulo. Para Mandetta, a quantidade de casos no país está dentro do esperado. Conforme atualização nesta quarta-feira, o número é de 2.433, com 57 óbitos.

“Acho que no momento podemos assegurar que estamos dentro do que a gente pensou para esses 30 dias”, afirmou. Ao comentar sobre ação do vírus nos estados, Mandetta se disse surpreso com a quantidade de casos no Acre e no Ceará. Mandetta anunciou que cerca de R$ 600 milhões serão repassados a estados e municípios para o combate ao novo coronavírus.

Hidroxicloroquina

Ainda na coletiva, foi anunciada que a hidroxicloroquina, derivado da cloroquina, será utilizada no tratamento de pacientes hospitalizados em casos graves de Covid-19. De acordo com Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos e não deve ser de forma nenhuma usado em casa.

“População: não use esse medicamento em casa. Durante o uso, pode haver mudanças no ritmo do coração. O protocolo proposto é somente para hospitalizados em casos graves”, disse Vianna, Cerca de 3.4 milhões de unidades serão distribuídas entre os estados.

O secretário ressaltou que pesquisas mostram a ação da hidroxicloroquina em condições in vitro, e que os estudos em humanos estão caminhando. “Temos mais de uma década de conhecimento com esse medicamento, principalmente na região norte, para tratar malária”, disse.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a fazer um apelo para que a população que não necessita do medicamento para tratamentos contínuos (como nos casos de malária, lúpus e artrite) devolva a droga para as farmácias. Ele reforçou que os prazos das receitas para esse e qualquer medicamento foram estendidos para 90 dias.

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